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O meu cancro


Quarta-feira, 18.02.15

DOENTE ESTEVE SEIS DIAS NA URGÊNCIA DO HOSPITAL DE BEJA POR FALTA DE CAMAS ONCOLÓGICAS

201502171034161.jpgO caso é denunciado pelos deputados do PCP João Ramos e Carla Cruz, que já questionaram o Governo, através do ministro da Saúde, sobre o sucedido.
O doente idoso com o diagnóstico de doença oncológica deu entrada nas Urgências do hospital bejense a 3 de Fevereiro, sendo que seis dias depois, a 9 de Fevereiro, ainda permanecia nos corredores da urgência.
“Nesse dia foi transferido para o SO do mesmo serviço de Urgência e a informação que é dada aos familiares é que não é internado porque não existem camas de oncologia disponíveis. O doente esteve seis dias no corredor da Urgência, em condições que não são as adequadas. Exemplo disso é que foi transportado para fazer tratamentos em Évora e não os realizou dado o estado de agitação que apresentava”.
A situação, continuam João Ramos e Carla Cruz, surge depois de em Setembro de 2013 o conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) ter anunciado a redução de 26 camas no hospital.
In: http://www.correioalentejo.com/?diaria=13208&page_id=36

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por Zé LG às 00:10

Sábado, 24.01.15

FUI OPERADO A UM CANCRO HÁ DOIS ANOS

Fez hoje dois anos que fui operado a um cancro no cólon. A oportunidade com que foi feita a operação terá sido o mais determinante para me salvar. Se tivesse demorado mais e se a doença tivesse avançado mais talvez as coisas não se tivessem passado da mesma maneira.

A intervenção correu bem, apesar de ter sido maior do que a inicialmente esperada, porque a localização do tumor era diferente da diagnosticada.

Dois anos depois, quase não me lembro e parece-me que foi há muito mais tempo. Mas fazendo um esforço de memória lembro-me das dores que senti nessa noite, que quase não me deixaram dormir.

Nessas alturas sentimos como somos insignificantes. Sem praticamentre nada podermos fazer e sem a atenção e o apoio que gostaríamos de sentir e ter. Isto apesar de ter sido sempre bem tratado. Não tem a ver com o apoio profissional mas com as circunstâncias em que nos encontramos e nos sabia bem ter algum mimo... Mas também, nessas alturas, apetece-nos estar sós, quer para descansar, quer para reflectir.

Recordo ainda os dois companheiros de infortúnio, que me ladeavam na enfermaria, mais velhos e em estados bem mais complexos e graves, que já lá estavam e que que por lá continuaram quando tive alta.

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por Zé LG às 23:02

Sexta-feira, 31.01.14

De regresso a casa

Há precisamente um ano, a esta hora, tive alta do Hospital Distrital de Beja, onde fui operado a um cancro no cólon e estive internado 10 dias.

Na altura senti que tinha tido "ordem de soltura", porque, por melhor que sejamos tratados - e eu fui bem tratado por todos -, sentimo-nos sempre com a nossa liberdade condicionada.

Foi bom voltar a casa para junto dos que mais amo. Os meus pequenotes estranharam e sofreram com a minha ausência e receberam-se com um misto de surpresa e desconfiança. A alegria e os mimos vieram depois.

O pior das condições de acolhimento deste hospital são as casas de banho. Em situação de tanta fragilidade como a que nos encontramos quando estamos enfermos termos de utilizar aquelas casas de banho não ajuda nada o estado de espírito.

Continuaram na enfermaria os dois companheiros de infortúnio que já lá se encontravam quando fui internado. Uns dias depois quando lá voltei, encontrei-os bastante melhores do que no dia em que saí.

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por Zé LG às 17:06

Quarta-feira, 22.01.14

Fui internado há um ano

... no piso 2 do Hospital Distrital de Beja, para ser operado a um cancro no cólon. A tarde foi ocupada com preparação, análises e rx ao torax.

Fiquei situado entre dois idosos, que já lá estavam há algum tempo, com problemas bastante graves. Falavam pouco e sofriam e queixavam-se muito.

Sentia alguma ansiedade pelo que se iria passar e como me iria aguentar. A informação não ajudou meuito, porque foi sendo prestada a conta-gotas e em cima dos acontecimentos.

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por Zé LG às 10:15

Quarta-feira, 04.09.13

Não podemos permitir isto

«JOSÉ JORGE MUNHOZ FRADE, LICENCIADO EM MEDICINA, PORTADOR DA CÉDULA PROFISSIONAL Nº 21433, EXERCENDO EM REGIME DE EXCLUSIVIDADE AS FUNÇÕES DE ASSISTENTE HOSPITALAR GRADUADO DE MEDICINA INTERNA NO HOSPITAL JOSÉ JOAQUIM FERNANDES – BEJA, VEM, POR IMPERATIVO DEONTOLÓGICO E PERANTE A ACTUAL INEXISTÊNCIA, NA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO BAIXO ALENTEJO, DO RESPECTIVO ÓRGÃO TÉCNICO DIRIGENTE DE TOPO HIERÁRQUICO – DIRECÇÃO CLÍNICA – PUBLICAMENTE DECLARAR NÃO ESTAREM GARANTIDAS NO HOSPITAL DE BEJA AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS AO ADEQUADO TRATAMENTO DE DOENTES ONCOLÓGICOS, DESIGNADAMENTE QUANDO O SEU INTERNAMENTO EM SERVIÇO ESPECÍFICO É IMPRESCINDÍVEL.
BEJA, 3 DE SETEMBRO DE 2013»

Munhoz Frade a 3 de Setembro de 2013 às 09:58, in: http://alvitrando.blogs.sapo.pt/2515181.html?view=5692653#t5692653

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por Zé LG às 17:46

Segunda-feira, 04.03.13

Estás na mesma

Tem sido este o comentário que mais tenho ouvido, frequentemente acompanhado de "estás bem encarado", das pessoas que me voltaram a ver depois de terem sabido que me foi diagnosticado um cancro.

Estes comentários traduzem bem a imagem que as pessoas têm do cancro: a imagem de uma doença terrível, mortífera, destruidora, cujas marcas ficam bem visíveis nos que lhe sobrevivem.

Daí a surpresa de não me verem cadavério, em decomposição...

Ainda enquanto estava internado no hospital, aquando da operação, percebi que algumas pessoas não queriam ver-me ou telefonar-me pelo impacto que receavam ter ao contactar-me.

Também por isto, importa ir desmistificando a ideia dominante que ainda existe relativamente ao cancro. Talvez se possa começar por dizer que existem muitos cancros, cuja gravidade tem a ver com o local onde aparecem, a forma como se desenvolvem e que o êxito do tratamento da doença depende, para além disso, do momento em que são descobertos, da pessoa atingida e da sua reacção, do nível de conhecimento e meios de tratamento já existentes, ...

Para terminar, talvez se possa acrescentar que sendo o cancro uma doença que atinge cada vez mais pessoas é também cada vez mais curável. Ou seja, cada vez existem mais pessoas com cancro e cada vez menos gente, em termos relativos, morre de cancro, graças à evolução científica e tecnológica.

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por Zé LG às 21:50

Sexta-feira, 01.03.13

Morreu um companheiro de infortúnio

Manuel Augusto Martins, barbeiro, de 65 anos, natural de Alcaria Ruíva - Mértola, faleceu no dia 28 de Fevereiro. O funeral realizou-se esta manhã para o Cemitério de Beja.

À família enlutada apresento as minhas sentidas condolências.

 

Havia anos que não ia ao Cabanitas. No início do ano e antes de ser internado no hospital resolvi ir lá cortar o cabelo. Foi o Senhor Manuel Martins que mo cortou. Quando, da segunda-feira da semana passada, fui colocar o cateter, voltei a encontrá-lo – foi fazer o mesmo. Na altura, falei com ele e com a esposa, que me descreveram o seu percurso desde que no início do verão quando começou a sentir-se doente. Só em Janeiro é que lhe foi diagnosticada a doença. Esta semana, na segunda e na terça-feira voltamo-nos a encontrar na quimioterapia. Esta manhã um colega de trabalho informou-me que ia a enterrar esta manhã. Não queria acreditar, porque, apesar de ter percebido que a sua situação era bastante grave, já tinha dado como adquirido que nos iríamos continuar a encontrar nos tratamentos. Não pude deixar de lhe ir dizer o último adeus. 

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por Zé LG às 22:28

Sexta-feira, 22.02.13

Faz hoje um mês...

... que dei entrada no Hospital de Beja para ser operado, dois dias depois, ao meu cancro no cólon. Felizmente a operação correu bem e a recuperação também tem estado a correr bem. Parece que foi detectado ainda a tempo...

Foram 11 dias de internamento, a maioria dos quais sem poder comer nada (perdi cinco quilos), com bastantes dores nos dois ou três dias após a cirurgia, que não me deixavam mudar da posição de pau para o ar, mas em que nunca me senti ir abaixo, sempre me mantive calmo e com boa disposição.

Foi bom saber que "o que tinha de ser feito foi bem feito".

O internamento hospitalar para uma cirurgia é comparável à entrada num avião para fazermos uma viagem - entramos, perdemos o controlo da situação, que fica nas mãos na equipa de pilotagem e colaboradores, e quando aterramos (saímos da operação) e pomos os pés em terra sentimos um enorme alívio e sensação de de renascemos...

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por Zé LG às 17:38


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