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O meu cancro

O meu cancro

A minha reacção ao diagóstico do cancro

Recebi o resultado da colonoscopia, confirmando que tinha um cancro, com naturalidade e serenidade.

Ninguém pede para estar doente e, muito menos, para ter um cancro. Mas se foi isso que aconteceu não vale a pena ficar a lamentar-se e, muito menos, entrar em desespero.

A informação de que tinha um cancro e que precisava de ser operado com brevidade para o remover fez com que me concentrasse nessa necessidade urgente e que diligenciasse nesse sentido.

Talvez o facto de não sentir nada de especial em mim - disse algumas vezes que a única coisa que se alterou foi o ter sabido que tinha um cancro, o que antes desconhecia - e o querer ver-me livre do cancro, que me foi diagnosticado com a urgência que me foi referida, tivessem ajudado a manter a calma e a não me deixar ir abaixo com a notícia.

A verdade é que mantive esse estado de espírito desde o diagnóstico da doença, passando pelo internamento hospitalar e intervenção cirúrgica, até agora.

Não sei ainda se vou necessitar de algum tratamento ou não, mas, por enquanto, mantenho-me calmo, sereno e confiante de que ainda não será desta que vou deixar a vida que tanto adoro. 

A colonoscopia

Ao contrário do que acontece com muita gente, nada senti ao fazer a colonoscopia. Devem ter-me dado algum sedativo, porque adormeci logo que me deitei na marquesa e quando acordei foi como se nada tivesse acontecido.

Ao acordar, perguntei à enfermeira se estava tudo bem e esta disse-me que a médica já ia falar comigo. Percebi logo que alguma coisa não estava bem...

Como tudo começou

Em Setembro do ano passado decidi marcar uma consulta com a minha médica de família, porque sentia umas dores na barriga e, por vezes necessidade de ir à casa de banho depois de comer ou beber.

Depois de várias análises e exames, as análise feitas em Novembro acusaram um pouco de anemia, sem perda de sangue visível. Esta situação levou a médica a mandar-me fazer uma colonoscopia.

Feita esta, no dia 9 de Janeiro, acusou "Neoplasia (exofítica) no ascendente" do cólon - "Lesão vegetante circunferencial e estonesante de ascendente (?), não ultrapassável".

Logo nessa altura fui informado que deveria ser operado o mais depressa possível, que, sendo uma situação grave, não era das mais graves porque não ficaria com saco e poderia ter de fazer algum tratamento depois da operação, dependendo dos resultados desta e dos vários exames.

O meu cancro

No passado dia 24 de Janeiro, fui submetido a uma intervenção cirúrgica, que me cortou um bocado do cólon que continha um cancro (neoplasia), sob a forma de tumor.

Há três dias, se não estou em erro, assinalou-se o Dia Internacional de Luta Contra o Cancro (?). Nesse dia ouvi que em Portugal morrem três pessoas em cada hora de cancro. Nada ouvi sobre quantas lhe sobrevivem no mesmo período.

Dois dos meus melhores amigos morreram de cancro - Figueira Mestre há quase quatro anos e Manuel Frade há bastantes mais. Outros amigos tiveram o mesmo fim. Mas tenho muitos outros amigos e conhecidos que, atacados por esta terrível doença, o venceram e aí continuam connosco.

Não sei se a cirurgia cortou o mal pela raiz, se vou precisar de tratamento ou se vou voltar a ser atacado pelo cancro.

Hoje completei 59 anos de idade. Sou ainda um jovem, se tiver em conta que estimo a minha esperança de vida para além dos 150 anos. E com razoável qualidade de vida.

Ninguém encomenda uma doença, muito menos uma das menos simpáticas, como é o caso. Mas se elas nos atacam só temos / podemos enfrentá-las e tentar vencê-las ou, pelo menos, domá-las. Faz parte da natureza. Não será com mistificações, fugindo à realidade, por mais dura que se nos depare, que lá vamos. Mas sim com naturadidade, coragem e a certeza de que não há outra forma melhor de vencer a doença.

Com a criação deste blogue - a que decidi chamar cruamente "o meu cancro" - não pretendo mais do que transmitir pensamentos, reflexões e algumas informações sobre o (meu) cancro, procurando fazê-lo de forma descomplexada, desdramatizada, naturalmente.

E tal como o cancro que me atacou, também este blogue aparece sem estar previsto... Já tinha muito com que me entreter...

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